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🇬🇧 Cultural nomadism - a lifestyle

We can move from a place to another for various reasons. One of them is to know better other cultures, to become a global citizen. Other is ...

Sunday, 23 July 2023

🇧🇷 Minha relação com meu corpo

Este é um texto sobre minha relação com meu corpo.

Eu sou Nycka Nunes, nômade digital e cultural e trabalho como artista visual, fotógrafa fine art e stylist. Como stylist acredito que estilo pessoal está ligado ao autoconhecimento, à personalidade e ao estilo de vida, e por isso é impossível rotular um estilo pessoal. Além disso, se alguém imita a aparência de outra pessoa isso vai na contramão do desenvolvimento de um estilo pessoal forte.

Eu sempre fui magra. A ponto de, a certa altura, tomar remédio para abrir o apetite. Naquela época eu comia pouco porque a comida na casa da minha avó materna, onde eu morava, era feia e ruim. Felizmente, na casa da outra avó a comida era sempre muito saborosa.

Hoje em dia eu procuro me alimentar bem, sem exageros, e aprendi a entender muitas das necessidades do meu corpo. 

Eu tenho 1,75m de altura. E desde a adolescência tenho quadris largos, e seios pequenos. E meu tipo físico hoje é ampulheta, porque a medida para tipo físico é dos ombros, não dos seios. Nunca me incomodei com meus seios ou quadris. No início da adolescência era difícil achar biquíni pra comprar porque a maioria das lojas na minha cidade natal só vendiam as duas peças do mesmo tamanho e eu usava top pequeno e calcinha média. Felizmente tinha uma loja que fazia biquínis sob medida. E na vida adulta a diferença deixou de existir.

Por eu ter sofrido bullying por parte de membros da família materna,  ter zero privacidade, e outras atitudes intoleráveis, passei a adolescência me achando feia. Quando alguma amiga da escola falava que algum garoto queria me conhecer eu sempre achava que só podia ser brincadeira. Só fui namorar depois de sair da minha cidade natal. Antes, eu não achava meu corpo feio, e também não me sentia bonita. Hoje entendo que era principalmente porque minhas roupas não eram roupas que eu gostasse e eu também detestava meus cabelos longos. A aparência imposta pela minha família não representava quem eu era.

Na vida adulta continuei sendo magra a maior parte do tempo. Até 2012 meu peso estava sempre em torno dos 58 quilos. Por vestir roupas que refletiam minha personalidade e viver experiências de reforço positivo em relação à minha aparência, fui ganhando autoconfiança.

De 2012 até a pandemia, meu peso variou muito - para mais e para menos - enquanto eu lutava contra os efeitos de uma situação extremamente traumática que vivi, que foi o primeiro passo para eu cortar relações com minha família materna e com todas as pessoas que tentaram me forçar a conviver com aquela gente.

Durante a pandemia, por ter ficado em casa e diminuído muito meu nível de atividade física, engordei mais de vinte quilos no primeiro ano de pandemia. Depois perdi quase todo o peso extra. Nesta semana estou com 64 quilos. Meu corpo está mais “feminino” que quando pesava 58kg. Com 58kg eu podia ter uma imagem andrógina com facilidade. Com 64 meus seios estão maiores. Não muito, mas o suficiente para não ser possível me confundir com um homem. Estou feliz com meu corpo atual. E gosto do corpo andrógino de antes.

Por muito tempo não gostei dos meus olhos caídos. Nos últimos anos fiz as pazes com eles. Meus dedos muito finos e longos também já foram motivo de incômodo. Na adolescência eu mantinha as unhas longas, porque gosto de esmaltes vermelhos ou de cores escuras, e minhas unhas, quando curtas, quase desaparecem pela proporção com o comprimento dos dedos. Também fiz as pazes com isso. A não aceitação dessas partes do corpo era efeito do bullying sofrido. Quando a voz dos meus parentes abusivos morreu na minha cabeça, passei a me ver como uma pessoa bonita em cada detalhe.

A morte dessa voz negativa foi um processo longo que me causou muito sofrimento. Na última etapa, destruiu minha saúde física, e causou impactos na minha aparência, como as mudanças de peso. No momento, a única coisa que preciso mudar são meus dentes, porque é a única parte do meu corpo que reflete o impacto dessa luta interna que venci.

Como crenças limitantes, herdadas de terceiros que não cuidam da própria saúde mental, ou autoimpostas, estão afetando você e te distanciando de cuidar melhor de si? Siga meus perfis nas redes sociais para mais conteúdos que podem te inspirar a se reconstruir e exaltar sua autenticidade.


Nycka Nunes

Saturday, 22 July 2023

🇬🇧 8 reasons for you to get to know other religions

This is a text with 8 reasons for you to get to know other religions besides the ones your family practices.

I'm Nycka Nunes, digital and cultural nomad and I work as a visual artist, fine art photographer and stylist. As a stylist, I believe that personal style is linked to self-knowledge, personality and lifestyle, and therefore it is impossible to label a personal style and if someone imitates the appearance of another person, this goes against the grain of developing a strong personal style.

  1. A still widespread way of educating children is through reward and punishment. For everything there is a right option and all others are wrong. Like a multiple-choice test. (If you suffer from anxiety, a clue to the cause is here.) But life is not a multiple-choice test. So, for you to make smart choices, you need to evaluate different possibilities and take a critical look at them. Thus, it is important to know different religions to discover which path best suits your quest for personal development at the moment. And this option can change along the journey.
  2. You will see that all religions have characteristics in common and it will be very useful for you to respect those who follow a different religion, and also those who do not follow any religion, as one of the common characteristics between religions is respect for individuality.
  3. You will realise that the purpose of religions is not for you to judge who is different, but to expose yourself to what is different and respect it in order to become a better human being.
  4. You will realise that all religions have different characteristics too, and the choice for a religion, when made consciously, is based precisely on these different characteristics. Each person seeks a religion aligned with their personal values. It makes no sense, for example, for a homosexual person to choose a religion that criticises homosexuals.
  5. Based on what I've read of Joseph Campbell's books, I realise that today's religions are generally not judgmental or condemning. Those who condemn are religious people who have a stance of fanaticism. Campbell is an author that I highly recommend for anyone who wants to know the world's religions in a broad way to begin the process of consciously choosing a path of personal development.
  6. I once read that when the wise point to the moon, the fool looks at the finger. This explains the attitude of people who, instead of using religion to become better people, use it as a crutch to judge who acts differently from how they interpret religion.
  7. No religion conveys its teachings literally. Perhaps the form of transmission of teachings of another religion is easier for you to understand than the form of the religions you know today. Just like at school, sometimes we don't quite understand content the way a certain teacher explains it, but with another teacher who explains it differently, the same content seems much easier!
  8. To be a fanatic is to be a bore. And not every religion is theistic.


Nycka Nunes

🇧🇷 8 Motivos para você conhecer outras religiões

Este é um texto com 8 motivos para você conhecer outras religiões além das que sua família pratica.

Eu sou Nycka Nunes, nômade digital e cultural e trabalho como artista visual, fotógrafa fine art e stylist. Como stylist acredito que estilo pessoal está ligado ao autoconhecimento, à personalidade e ao estilo de vida, e por isso é impossível rotular um estilo pessoal e se alguém imita a aparência de outra pessoa isso vai na contramão do desenvolvimento de um estilo pessoal forte.

  1. Uma forma ainda muito difundida de educar crianças é através da recompensa e punição. Para tudo existe uma opção certa e todas as outras são erradas. Como numa prova de múltipla escolha. (Se você sofre com ansiedade, uma pista para a causa está aqui). Mas a vida não é uma prova de múltipla escolha. Assim, para você fazer escolhas inteligentes você precisa avaliar possibilidades diversas e ter um olhar crítico em relação a elas. Assim, é importante conhecer religiões diferentes para descobrir qual caminho melhor se adequa à sua busca pelo desenvolvimento pessoal no momento. E essa opção pode mudar ao longo da jornada.
  2. Você verá que todas as religiões têm características em comum e isso será muito útil para você respeitar quem segue uma religião diferente, e também quem não segue religião nenhuma, pois uma das características em comum entre as religiões é o respeito à individualidade.
  3. Você perceberá que o objetivo das religiões não é você julgar quem é diferente, mas expor-se ao diferente e respeitá-lo para tornar-se um ser humano melhor.
  4. Você perceberá que todas as religiões têm características diferentes também, e a escolha por uma religião, quando feita de forma consciente, tem por base justamente essas características diferentes. Cada pessoa busca uma religião alinhada com seus valores pessoais. Não faz sentido, por exemplo, uma pessoa homossexual escolher uma religião que critique os homossexuais.
  5. Com base no que já li dos livros de Joseph Campbell, percebo que as religiões atuais geralmente não julgam nem condenam ninguém. Quem condena são pessoas religiosas que têm uma postura de fanatismo. Campbell é um autor que eu recomendo muitíssimo para quem quer conhecer as religiões do mundo de forma ampla para iniciar o processo de escolha consciente de um caminho de desenvolvimento pessoal.
  6. Uma vez li que quando o sábio aponta para a lua, o tolo olha para o dedo. Isso explica a atitude de pessoas que em vez de usarem a religião para tornarem-se pessoas melhores a usam como muleta para julgar quem age diferente de como elas interpretam a religião.
  7. Nenhuma religião transmite seus ensinamentos de forma literal. Talvez a forma de transmissão de ensinamentos de outra religião seja mais fácil pra você entender que a forma das religiões que você conhece hoje. Assim como na escola às vezes não entendemos bem um conteúdo da forma que um determinado professor explica, mas com outro professor que explique de forma diferente, o mesmo conteúdo parece bem mais fácil!
  8. Ser um fanático é ser um chato. E nem todas as religiões são teístas.


Nycka Nunes

Thursday, 20 July 2023

🇬🇧 Those who had traumatic experiences in childhood do not usually have hobbies

Psychologists say that those who had traumatic experiences in childhood do not usually have hobbies. This text is about my childhood and how I dealt with the limitations that were imposed on me.

I'm Nycka Nunes, digital and cultural nomad, and I work as a visual artist, fine art photographer and stylist, in addition to creating content on this blog and on social media. I graduated in advertising.

I started working at 5 years old. I lived with my maternal grandmother for most of my childhood and adolescence.

When I was very young I studied ballet, piano and flute. I lived opposite the music conservatory in my hometown at the time. I've been passionate about piano ever since, but even though they enrolled me in the course, my family never encouraged me and I didn't have a piano to practice with. And I was frustrated with the lack of evolution between one class and another. The other courses I don't even remember wanting. I still reject the flute. I now know that narcissists - and emotionally immature people - tend to do things to impress others. Maybe that's why they enrolled me in these courses and others. To impress others, keep up with the Joneses.

I also liked to draw and I wanted to learn to paint, and I wasn't given any encouragement to do so. To the point where I got to draw only in therapy sessions, in childhood. I only went back to drawing in the first year of college for advertising. And, surprisingly to me, I was drawing well.

Notice that what was important to me, what brought me satisfaction and joy, was not encouraged. In some cases it was even prohibited. And that went beyond art. I remember once asking for a Barbie as a gift and my mother saying that I was no longer a child to play with dolls. I was a child. I started playing with boys, with He-Man and Thundercats dolls. I started playing football. And I continued to allow myself to be a child, even though I had to work and was treated like an adult by my mother and her family.

In the store, they put me in charge of organising the products in stock, hidden from customers. I thought it was boring, I did what had to be done quickly and went to the counter to try to serve customers. Several did not accept my help. I was small, and just as capable of serving them as the adult saleswomen. I knew the names and prices of everything, I knew where each product was, and I even knew better than the others what was in stock because most of the time I was in stock.

In childhood, I found in literature an escape from the annoyance and disrespect I experienced in living with my maternal family.

Unfortunately, for a large part of Brazilian society in inland cities, family is something above good and evil. Even as an adult, when I voiced criticism of abuse committed by family members, several people criticised me. I also got a lot of support when I talked about these bad experiences on social media.

The memories I have of living with my father's family are all good. After my parents' divorce, I started to see my father a lot less, but when he was there he was 100% there, always supporting me, praising me. My paternal grandmother used to talk to me a lot. My uncles also treated me very well, and respected my weird behaviour, for example, being isolated at Christmas parties when there were people I didn't know.

This positive interaction with my paternal family and the literature that took me to different realities than the one I lived with my maternal grandmother were essential for me to deal with the authoritarianism of my maternal grandmother and the cruelty of my mother and my aunts, who always they humiliated me, treated me badly, repeated countless times that I was ugly, stupid, useless, and no matter how good my grades at school or my behaviour were, nothing was good enough.

My self-esteem was low and remained so until I was in my thirties, because I placed too much importance on being loved by my mother's family. Today, if someone doesn't like me, I move on with my life, I've achieved great emotional autonomy. Anyone who doesn't value my qualities doesn't deserve my affection.

As I traveled to my father's farm on the weekends, and there I was always treated well, I really like to travel. I also like to practice individual physical activities (cycling, walking the dog, etc). And to watch football matches, but I usually only watch Palmeiras matches. Sometimes I watch games of some European teams too.

I look for joy and satisfaction in everything I do, and I've learned to be intolerant of certain attitudes. Because satisfaction was something forbidden to me in almost all of my childhood and adolescence. And I don't want to be satisfied only on weekends. That's why I don't limit my satisfaction to hobbies. I do not accept that only they bring me joy and relaxation.

And you, how do you deal with the bad experiences you had in childhood?


Nycka Nunes

🇧🇷 Quem teve experiências traumáticas na infância não costuma ter hobbies

Psicólogos dizem que quem teve experiências traumáticas na infância não costuma ter hobbies. Este texto é sobre minha infância e como lidei com as limitações que me eram impostas.

Eu sou Nycka Nunes, nômade digital e cultural, e trabalho como artista visual, fotógrafa fine art e stylist, além de criar conteúdo neste blog e em redes sociais. Sou formada em publicidade.

Eu comecei a trabalhar aos 5 anos. Morei com minha avó materna durante a maior parte da minha infância e adolescência.

Quando eu era bem pequena estudei balé, piano e flauta. Morava em frente ao conservatório de música da minha cidade natal na época. Sou apaixonada por piano desde então, mas embora tenham me matriculado no curso, minha família nunca me incentivou e eu não tinha um piano para praticar. E eu ficava frustrada com a ausência de evolução entre uma aula e outra. Os outros cursos nem lembro de querer. Rejeito flauta até hoje. Hoje sei que narcisistas - e pessoas emocionalmente imaturas - tendem a fazer as coisas pra impressionar os outros. Vai ver foi por isso que me matricularam nesses cursos e em outros. Para impressionar os outros.

Eu também gostava de desenhar e queria aprender a pintar, e não recebi qualquer incentivo para isso. A ponto de eu chegar a desenhar apenas nas sessões de terapia, na infância. Só fui voltar a desenhar no primeiro ano da faculdade de publicidade. E, surpreendentemente para mim, estava desenhando bem. 

Observe que o que era importante para mim, que me gerava satisfação e alegria, não era encorajado. Em alguns casos era proibido mesmo. E isso foi além da arte. Eu lembro de uma vez pedir uma Barbie de presente e minha mãe dizer que eu não era mais criança para brincar de boneca. Eu era uma criança. Passei a brincar com meninos, com os bonecos de He-Man e Thundercats. Passei a jogar futebol. E continuei me permitindo ser criança, mesmo tendo de trabalhar e sendo tratada como adulto por minha mãe e a família dela.

Na loja, me colocavam para organizar os produtos no estoque, escondida dos clientes. Eu achava chato, fazia rápido o que tinha de ser feito e ia para o balcão tentar atender clientes.Vários não aceitavam minha ajuda. Eu era pequena, e tão capaz de atendê-los quanto as vendedoras adultas. Sabia os nomes e preços de tudo, sabia onde cada produto estava, e ainda sabia melhor que as outras o que tinha no estoque porque a maior parte do tempo eu estava no estoque.

Na infância eu encontrava na literatura uma fuga da chatice e do desrespeito que vivenciava no convívio com minha família materna.

Infelizmente, para grande parte da sociedade brasileira em cidades do interior, família é algo acima do bem e do mal. Mesmo já adulta, quando verbalizei críticas aos abusos cometidos por familiares, várias pessoas me criticaram. Também tive muito apoio nas vezes que falei sobre essas experiências ruins nas redes sociais.

As lembranças que tenho do convívio com minha família paterna são todas boas. Depois do divórcio dos meus pais, eu passei a ver meu pai muito menos, mas quando ele estava presente ele estava 100% presente, sempre me apoiando, elogiando. Minha avó paterna conversava muito comigo. Meus tios também me tratavam muito bem, e respeitavam meu comportamento esquisito, de, por exemplo, ficar isolada nas festas de Natal quando tinham pessoas que eu não conhecia. 

Esse convívio positivo com minha família paterna e a literatura que me levava para realidades diferentes da que eu vivia morando com minha avó materna foram essenciais para eu lidar com o autoritarismo da minha avó materna e a crueldade da minha mãe e das minhas tias, que sempre me humilharam, me trataram mal, repetiam inúmeras vezes que eu era feia, burra, inútil, e por melhores que fossem minhas notas na escola ou meu comportamento, nada era bom o suficiente.

Minha autoestima era baixa e foi assim até por volta dos meus trinta anos, por eu dar excessiva importância a ser amada pela minha família materna. Hoje se alguém não gosta de mim, sigo minha vida, consegui uma autonomia emocional muito grande. Quem não valoriza minhas qualidades não merece meu afeto.

Como eu viajava para a fazenda do meu pai nos finais de semana, e lá eu era sempre bem tratada, gosto muito de viajar. Também gosto de praticar atividades físicas individuais (andar de bicicleta, passear com o cachorro, etc). E de ver jogos de futebol, mas geralmente vejo somente os jogos do Palmeiras. Às vezes vejo jogos de alguns times europeus também.

Eu busco alegria e satisfação em tudo que faço, e aprendi a ser intolerante com certas atitudes. Porque satisfação foi algo proibido para mim na quase totalidade da minha infância e adolescência. E eu não quero ter satisfação apenas nos finais de semana. Por isso não limito minha satisfação a hobbies. Não aceito que apenas eles me tragam alegria e relaxamento.

E você, como lida com as experiências ruins que teve na infância?


Nycka Nunes

Sunday, 9 July 2023

🇬🇧 Can looks be deceiving?

Have you ever heard that looks can be deceiving? Could they be deceiving?

I'm Nycka, I work as a stylist, visual artist and fine art photographer. As a stylist, I was a world pioneer in working with personal image as a non-verbal communication tool.

Once, during the cold period in Curitiba, I went to work looking very androgynous. I'm tall, thin, I have short hair and my appearance already contributes a lot to the androgynous aspect, which I eventually reinforce in clothing.

After work I stopped by the supermarket before heading home. And, on the way, as I was on foot (I was working in a mall close to home), while waiting for the traffic light to turn green for pedestrians, a woman with a little girl of about 5 or 6 years old stopped beside me. The girl asked her mother, looking at me: “is it a boy or a girl?”. The mother got mad at the child, and as soon as the traffic light turned green she ran out and scolded the girl.

I don't believe that clothes have a gender. I often wear men's cut pants because they are more comfortable. I have zero interest in changing genders. I don't believe that my biological gender defines my personality, I don't feel obliged to behave stereotyped as feminine all the time. I believe that everyone has characteristics that are stereotyped as masculine and other characteristics that are stereotyped as feminine, regardless of gender. Certainly Brazilian culture, and possibly others around the world, reinforce(s) stereotypes. It is up to each person, through the process of self-knowledge, to decide whether to accept fitting into stereotypes or not. I have chosen, since I started buying my own clothes, not to dress to satisfy others. I have used my appearance as a tool for non-verbal communication and self-expression since I was eighteen years old. Since I didn't go through the phase of dressing like my friends and people my age when I was a teenager and I was already working in fashion, it was easy to follow that path. So it would be easy and natural for me to respond to that little girl if her mother hadn't taken her far away. I see no mistake, offence or shame in asking what she asked. I see more error in keeping the child in a universe of repression, where wanting to understand the other is treated as a mistake, where there is a war between a single right option and all the others are seen as wrong.

Certainly me and that mother live in different universes. That's why she ran away from me and the uncomfortable situation (for her) of allowing her daughter to experience realities different from those she was used to. And my appearance can be deceiving to the point of doubting whether I am a “boy or a girl”, but it is not deceiving in terms of the fact that I live in a different universe from people who believe that girls should dress with certain options and boys are limited to other options.

I don't work with children's personal image. Not even child celebrities. I believe that to develop a personal style it is necessary to have a dose of self-knowledge that children do not have, because they live in a relationship of relative submission to their parents' beliefs and values, without autonomy to express their individuality in most cases. Many adults also do not have enough autonomy and self-awareness for this.

I'm an artist, and very conventional and conservative behaviour is not inspiring at all. I develop personal styles that are much less daring than mine, but excessive fears, limitations and a conservative mindset do not work within my work. The client must have a dose of openness to do something different from what (s)he has been doing.

If you want to develop a unique personal style, follow the instructions on the “Services available” page. My other services are available to a wider range of profiles.


Nycka

🇧🇷 As aparências enganam?

Já ouviu dizer que as aparências enganam? Será que enganam?

Eu sou Nycka, trabalho como stylist, artista visual e fotógrafa fine art. Como stylist, fui pioneira mundial em trabalhar a imagem pessoal como ferramenta de comunicação não verbal.

Certa vez, durante o período de frio em Curitiba, eu saí para trabalhar com um aspecto bem andrógino. Sou alta, magra, tenho cabelos curtos e minha aparência já contribui bastante para o aspecto andrógino, que eventualmente reforço no vestuário.

Depois do trabalho passei no supermercado antes de ir para casa. E, no caminho, como eu estava a pé (estava trabalhando num shopping perto de casa), enquanto aguardava a luz do semáforo ficar verde para pedestres, uma mulher com uma garotinha de uns 5 ou 6 anos parou ao meu lado. A garota perguntou à mãe, olhando pra mim: “é menino ou menina?”. A mãe ficou brava com a criança, e assim que a luz do semáforo ficou verde ela saiu correndo e ralhando com a menina.

Eu não creio que roupas tenham gênero. Com frequência uso calças de corte masculino por serem mais confortáveis. Tenho zero interesse em mudar de gênero. Não creio que meu gênero biológico defina minha personalidade, não me sinto obrigada a ter comportamentos estereotipados como femininos o tempo todo. Creio que todo mundo tem características estereotipadas como masculinas e outras tantas características estereotipadas como femininas, independentemente do gênero. Seguramente a cultura brasileira, e possivelmente outras em todo o mundo, reforça(m) estereótipos. Cabe a cada pessoa, através do processo de autoconhecimento, decidir se aceita se encaixar nos estereótipos ou não. Eu optei, desde que comecei a comprar minhas próprias roupas, a não me vestir para satisfazer os outros. Uso minha aparência como ferramenta de comunicação não verbal e autoexpressão desde os dezoito anos de idade. Como não vivi a fase de vestir-me igual aos meus amigos e pessoas da minha idade na adolescência e já trabalhava com moda, foi fácil seguir esse caminho. Assim, seria fácil e natural para mim responder àquela menina se a mãe não a tivesse levado para bem longe. Não vejo vejo erro, ofensa ou vergonha em perguntar o que ela perguntou. Vejo mais erro em manter a criança num universo de repressão, onde querer entender o outro seja tratado como um erro, onde existe uma guerra entre uma única opção certa e todas as outras são vistas como erradas.

Certamente eu e aquela mãe vivemos em universos diferentes. Por isso ela correu de mim e da situação incômoda (para ela) de permitir à filha conhecer realidades diferentes das que ela estava habituada. E minha aparência pode enganar a ponto de causar dúvida se sou “menino ou menina”, mas não engana em relação a eu viver num universo diferente do de pessoas que acreditam que meninas devem vestir-se com certas opções e meninos estão limitados a outras opções.

Eu não trabalho com imagem pessoal de crianças. Nem mesmo celebridades mirins. Acredito que para desenvolver um estilo pessoal é necessário uma dose de autoconhecimento que crianças não têm, por viverem numa relação de relativa submissão às crenças e valores dos pais, sem autonomia para manifestação de sua individualidade na maioria dos casos. Muitos adultos também não têm autonomia e autoconhecimento suficientes para isso.

Eu sou uma artista, e comportamentos muito convencionais e conservadores não são nada inspiradores. Desenvolvo estilos pessoais muito menos ousados que o meu, mas excesso de medos, limitações e mentalidade conservadora não funcionam dentro do meu trabalho. O cliente tem de ter uma dose de abertura para fazer algo diferente do que tem feito. 

Se você quer desenvolver um estilo pessoal único, siga as instruções na página “Services available”. 


Nycka

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