Vou falar de um tema que afeta o bem-estar e pode ser uma barreira para quem pensa em se mudar. Como fazer amizades numa cidade onde você não conhece ninguém. Não vou dar dicas, vou compartilhar um pouco da minha experiência, que pode ser uma base para você construir sua “estratégia” de conhecer pessoas.
Pode ser assustador pensar em deixar amigos, família, suas referências de uma vida inteira para ir morar num lugar onde você não conhece ninguém, seja para estudar, trabalhar, ter sua empresa num ambiente mais favorável àquele tipo de negócio, morar com seu marido ou esposa estrangeiro, etc. Parece assustador, mas é a melhor coisa do mundo para vencer seus medos e inseguranças. Atualmente as pessoas que me conheceram antes de eu dar este passo pela primeira vez, em 1998, só têm contato comigo pela internet, mas algumas amigas do tempo de colégio, mesmo distantes, perceberam a minha mudança.
Na adolescência eu era mais que tímida, eu nem respondia chamada na escola. Eu só fazia amizades porque meus colegas, por motivos que desconheço (curiosidade pelo meu comportamento “peculiar” talvez), se aproximavam de mim.
Na universidade eu decidi começar a responder chamada e apresentar trabalhos, mas ainda não costumava iniciar conversas com colegas.
Quando comecei a usar a internet em 1999, já falando um pouco de inglês, comecei a conversar com pessoas de todo o mundo. E a partir daí comecei a ter mais iniciativa de falar com as pessoas, embora no “mundo real” seja comum pessoas desconhecidas virem conversar comigo até hoje.
Uma coisa que sempre funcionou para mim é buscar interesses em comum e falar disso, e a partir daí criar espaços para outros temas. Eu amo música desde a infância, então, principalmente na internet, é comum eu perguntar sobre as preferências musicais dos outros. Alguns artistas que descobri nessas conversas fazem parte das minhas playlists no Spotify. Se quiser me seguir lá e depois compartilhar comigo alguns artistas que você acha que posso gostar, considerando meus gostos expostos lá, fique à vontade.
Muitas vezes, ao conhecer uma pessoa fora da internet, o ambiente que nos conhecemos já dá pistas de interesses. Exemplos disso são quando conhecemos pessoas em exibições de filmes cult, na academia de ginástica ou num curso. No caso do ambiente, talvez valha arriscar questões de temas relacionados, como perguntar a uma nova colega na academia de ginástica se ela conhece uma lanchonete vegetariana que você adora, e até convidá-la para um lanche lá. Algumas pessoas arriscariam um papo sobre whey protein e coisas de musas fitness. Eu acho isso muito chato, por isso preferiria falar de um restaurante vegetariano, um lugar que serve um açaí maravilhoso, ou um filme sobre boxe. Eu gosto de academia de ginástica por ser uma opção a mais para movimentar o corpo. Não como caminho para modificá-lo.
Talvez a experiência que mais me fez ter um medinho de rejeição ao falar com desconhecidos tenha sido a primeira vez que tive de fazer trabalho em grupo no MBA em Porto Alegre. Eu não conhecia ninguém na cidade, até ali ninguém na turma tinha falado comigo (diferente de minhas outras experiências como estudante). Tive de achar um grupo. Vi 3 colegas com um visual muito típico de profissional de administração de empresas, de camisa e gravata, e como eu também tinha estudado administração perguntei se poderia fazer o trabalho com eles. Nunca nos tornamos amigos de sair juntos, como nunca tive amizade desse tipo com ninguém da turma apesar de ter ido uma vez a um churrasco da turma, mas ok, o objetivo era ter com quem fazer os trabalhos em grupo e isso eu consegui.
Eu uso muito a internet para conhecer pessoas e culturas e converso até com alguns músicos profissionais que eu admiro. Nada mal para quem aos 16 anos não respondia chamada na escola. Por isso acho que você também consegue, se decidir se permitir viver essa experiência.
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Nycka, the Nomad.
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