Quando eu estudava Administração, na Unimontes, certa vez uma professora de psicologia disse que a melhor comida do mundo é a da mãe da gente. Eu fui a única a discordar. Preferia mil vezes a comida da cozinheira de minha avó paterna, até então, a melhor que eu já havia provado. Devo dizer que, uma vez, os vaqueiros capturaram um tatu no terreiro da casa (na fazenda) e Anita, a cozinheira, fez uma farofa com a carne do bicho que até hoje não provei nada igual. O café que ela fazia também era sensacional. Eu tinha de bebê-lo sempre que estava lá, mesmo acordando quase na hora do almoço.
Dias atrás, num grupo de mineiros em Curitiba no Facebook, um deles perguntou qual a nossa comida mineira preferida e comentou que a comida mineira em Minas é mais saborosa. Acho que o problema maior neste caso é que o paladar do curitibano é, aparentemente, avesso a temperos fortes. A comida típica daqui é barreado, uma carne desfiada com farinha que não tem gosto de nada. Sendo assim, os restaurantes adaptam suas receitas para agradar o público local. E estragam a culinária mineira, que é rica em temperos e sabores marcantes.
O interessante desse diálogo foi que me dei conta que ser uma (rara?) pessoa que não acha a comida da mãe a melhor do mundo me torna livre para apreciar os sabores que encontro em bons restaurantes em todo lugar. E, além disso, como a comida na casa de minha avó materna, que me criou, também era horrorosa de ver e de comer, com o tempo eu aprendi a cozinhar de modo a criar combinações que agradem aos meus olhos, ao meu paladar e sejam nutritivas.
A melhor comida do mundo pode estar em qualquer lugar, mas certamente é feita com amor, e por isso faz sentido a idéia daquela professora, de que comida de mãe é a melhor. Deve ser, quando há amor ao fazer. Mas nem toda mãe ama cozinhar. Nem toda mulher ama cozinhar. Alguns homens fazem isso melhor que muitas mulheres. E possivelmente a relação dos cozinheiros com seu trabalho afeta o sabor dos pratos servidos em restaurantes.
Nycka, the nomad
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