Hoje vou falar de descobertas em nosso novo lar. Mais especificamente de como achar um bom cabeleireiro quando você se muda, ou o seu cabeleireiro muda, ou ele se aposenta, ou quando seu estilo muda e seu cabeleireiro não entende o que você quer ou não tem competência para fazer. É o primeiro texto sobre como começar a criar referências de consumo num lugar que você não conhece ou que só visitou como turista. Mas serve para várias outras situações, como as que exemplifiquei acima. Como no texto anterior, sobre as amizades, vou relatar algumas experiências pessoais que podem ser úteis para você encontrar seu caminho.
Desde antes de sair da minha cidade natal eu tinha muita vontade de usar cabelos curtos. Tentei uma vez no cabeleireiro da minha avó e talvez por ser o cabeleireiro dela, talvez por ser um incompetente, o resultado foi ridículo. Um cabelo na altura do queixo (muito comprido perto do que eu queria), de base reta e cinco vezes mais volumoso que quando ele estava mais longo. Meu cabelo longo não passava de 20cm abaixo do ombro. Curtíssimo perto do comprimento de cabelos de muitas celebridades, e de boa parte das adolescentes brasileiras de hoje. O resultado dessa experiência foi um cabelo num formato de trapézio que eu achei ridículo e só fui tentar cortar curto de novo depois que mudei daquele lugar.
A primeira vez que decidi cortar curto depois disso eu frequentava um cabeleireiro perto de casa em Uberlândia e um dia pedi pra cortar igual à foto da capa de uma revista que levei pra ele ver (eu não recomendo fazer isso. As chances de frustração são imensas. Em outra ocasião explico minhas razões). Era um corte longo. Ficou igual. Curti o corte por uns dois meses e achei que ele seria capaz de realizar meu sonho de usar cabelos curtos. Voltei lá decidida a cortar curto. Ficou maior do que uso atualmente, mas ele cortou curto de verdade. Eu gostei e nunca mais tive cabelos longos novamente. Depois de vários cortes, o cabeleireiro, que era sócio do salão de beleza, desfez a sociedade e mudou para Uberaba. Eu não conhecia as habilidades da ex-sócia dele, preferi não arriscar e fui ao salão que ele estava trabalhando em Uberaba (não lembro se era dele este outro salão, mas isso não importa). Uberaba fica a cerca de uma hora de Uberlândia se você vai de carro. É mais perto do que ir a um outro bairro (não vizinho) em algumas cidades grandes como São Paulo. Ele cobrou um bocado mais caro do que cobrava em Uberlândia e o corte não ficou tão bom. Fiquei frustrada e sem cabeleireiro.
Depois de uns meses dessa viagem a Uberaba, mudei para Porto Alegre. Ainda nos primeiros meses na cidade conheci um rapaz que me convidou para entrar no Orkut, uma rede social que era novidade na época (2004) e só entrava quem tinha convite. No Orkut achei uma comunidade de mulheres de cabelos curtos, entrei e pedi referências de cabeleireiros bons em Porto Alegre para cortes curtos. Meus cabelos ainda estavam curtos, mas longos demais pro meu gosto (quase médios). Tive umas 3 respostas de salões onde as gaúchas cortavam seus cabelos curtos, escolhi o mais perto de casa e fui. Cortei com um cabeleireiro que tinha os cabelos um pouco mais longos que os meus e usava mullets. E por algum tempo ele deixou a parte de trás dos meus cabelos um pouco longa, cobrindo a nuca, que é justamente a parte que mais quero deixar exposta. Mas quando expliquei que eu queria a nuca descoberta, deu tudo certo. Cortei com este cabeleireiro até me mudar de Porto Alegre.
Em Curitiba, fui acompanhar uma pessoa que também era nova na cidade a um cabeleireiro e tive a sorte de ela ser atendida por um que ama cortar cabelos curtos. E resolvi cortar com ele. Mas fomos fazendo cortes cada vez mais curtos e parece que quanto mais curto eu corto mais rápido meus cabelos crescem, então eu comecei a aparar a nuca em casa. Como com tesoura dava muito trabalho e certamente ficava mal acabado, comprei uma máquina. E depois da máquina não vou com tanta frequência ao cabeleireiro. Como trabalhei com moda e estilo a vida toda, é fácil pra mim aprender coisas relacionadas, e já fiz muitas coisas referentes a corte e cor nos meus cabelos sozinha.
É, existem várias formas de achar um bom cabeleireiro. Com exceção do cabeleireiro da minha avó, todos os cabeleireiros que tive para cortes curtos eram bons. O primeiro não cortava nunca super curto como eu sempre quis, mas eram sempre cortes que me agradavam, antes da experiência de Uberaba. O outro entendia bem o que eu queria. Eu me incomodava com a nuca, mas no começo não falei nada. Quando expliquei que prefiro nuca descoberta ele entendeu e os cortes eram sempre perfeitos. Vale lembrar que cheguei lá com a nuca mais longa e um cabelo que era curto, e não via corte há meses. O mais recente me encorajou a aprender a cortar, porque, quando viu o que fiz para acertar a nuca em casa ele achou o resultado bom, apesar da finalização tosca atrás. Já levei cliente do meu trabalho de personal stylist lá depois que comprei a máquina, e mesmo para cortes longos ele é muito bom.
Não existe receita pronta, mas saber o que quer e comunicar isso claramente é muito importante. E isso tem a ver com as razões de eu não recomendar corte de revista. Siga meus perfis nas redes sociais para receber notificações de novos textos, incluindo o que vou explicar isso.
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Nycka, the Nomad
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